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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Centro de Documentação 25 de Abril

 O Centro de Documentação 25 de Abril, que pertence à Universidade de Coimbra, recolhe, recupera, organiza e expõe documentos relacionados não só com a Revolução dos Cravos, mas com toda a segunda metade do século vinte português, tais como revistas, cartazes, panfletos, cartas, recortes de imprensa, registros audiovisuais e iconográficos, autocolantes e crachás.

 Fundado em 1984, a pedido de um grupo de alunos e professores universitários ligados à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, na sequência da constatação de que muitos documentos alusivos ao Estado Novo e ao período da Revolução estavam a ser comprados por organismos estrangeiros, tornou-se num dos mais importantes arquivos nacionais sobre história portuguesa do século XX.

 Mais do que um mero arquivo, o Centro de Documentação 25 de Abril é um espaço de preservação da memória e da herança democrática lusitana. Está sempre disposto a acolher estudantes, investigadores e o público em geral, convidando-os a mergulhar nas páginas da história portuguesa.

 Para além de ser um espaço de investigação, o Centro promove uma série de iniciativas, como conferências, exposições e debates, que contribuem para informar e imergir a população nos acontecimentos de abril de 1974 e no contexto histórico-económico em que ocorreram.

Afonso da Costa

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Operações financeiras

Leasing

 O leasing é um acordo financeiro onde uma parte, conhecida como "locador", permite que outra parte, o "locatário", utilize um ativo (como um veículo, equipamento ou propriedade) por um período de tempo específico, em troca de pagamentos periódicos. O locador mantém a propriedade do ativo, mas o locatário adquire o direito de utilizá-lo pelo período acordado.

Franchising

 O franchising é um modelo de negócio em que uma empresa concede a uma outra o direito de operar um negócio usando a marca, produtos e métodos de operação já estabelecidos.

 O detentor da marca fornece o know-how, isto é, fornece os seus conhecimentos, fornece produtos e suporte, podendo exigir a decoração do espaço e receber uma percentagem das vendas.

 Mesmo tendo de se pagar, é vantajosa a associação a grandes marcas, pois o nome destas já possui boa reputação e sucesso.

Factoring

 Denomina-se factoring quando uma empresa cede créditos comerciais a uma instituição financeira que lhe adiantará parte do pagamento da dívida da empresa cliente, ficando assim responsável por cobrar, posteriormente, a mesma.

 Esta prática é especialmente útil para empresas que necessitam de liquidez imediata para financiar as suas operações, pagar fornecedores ou investir e que não podem esperar pelo tempo normal de pagamento.

Dumping

 Dumping é uma prática comercial em que uma empresa vende produtos ou serviços a preços abaixo do custo de produção ou do preço de mercado no país de origem, com o objetivo de ganhar vantagem competitiva e prejudicar os concorrentes locais.

 Esta prática pode ocorrer quando uma empresa tem capacidade de produção, demasiada oferta ou quando deseja ganhar uma participação de mercado significativa em um curto período de tempo. O dumping pode ter efeitos negativos na indústria local, levando à redução de preços, diminuição dos lucros e, em casos extremos, à falência de empresas concorrentes.

 O dumping não é uma prática legítima e é vista como uma violação das regras comerciais internacionais, pois distorce a competição justa no mercado global. Para o combater, diversos países têm leis e regulamentos.

Dumping social

 O dumping social refere-se a uma prática em que as empresas procuram obter uma vantagem competitiva ao reduzir os custos associados à mão-de-obra, muitas vezes em detrimento dos direitos e condições de trabalho dos seus funcionários. Isto pode envolver o pagamento de salários abaixo do padrão estabelecido, a violação de regulamentos de segurança e saúde no trabalho ou a falta de benefícios adequados.

 Este ocorre em países pouco desenvolvidos, onde os governos incentivam este método para atrair empresas e criar riqueza, sacrificando o bem-estar dos trabalhadores. Países como a China, Tailândia, Vietname, Laos, Cuba, Venezuela, entre outros, são ótimos exemplos.

Sociedade Corretora

 Uma sociedade corretora é uma empresa que atua como intermediária nos mercados financeiros, facilitando a compra e venda de valores mobiliários (como ações, títulos e outros instrumentos financeiros) em nome de investidores. Estas sociedades desempenham um papel importante na operação dos mercados de capitais.

Capital de risco

 O capital de risco é um tipo de financiamento fornecido por investidores a startups e empresas em incubação que têm um alto potencial de crescimento. Estes investidores injetam capital na empresa em troca de uma participação acionária.

 O capital de risco é comumente utilizado nos setores de tecnologia e inovação, onde as empresas necessitam de investimentos substanciais para pesquisa, desenvolvimento e expansão. Na maior parte das vezes, os investidores estão cientes de que há um risco significativo associado a empresas em estágios iniciais, mas estão dispostos a arriscar, porque, se a empresa for bem-sucedida, os retornos são bastante elevados.

Afonso da Costa

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Investimento direto do exterior em Portugal

 O Investimento Direto do Exterior ou Estrangeiro (IDE) dá-se quando uma empresa multinacional ou uma pessoa singular de um país investe nos ativos de outro país ou assume uma participação no capital das suas empresas. Normalmente, assume a forma ao adquirir uma participação numa empresa existente no país estrangeiro ou de criar uma filial para expandir a exploração de uma empresa existente desse país.

 O IDE potencia o desenvolvimento do tecido empresarial das economias recetoras, através da transferência de tecnologia, a criação de emprego, promoção do comércio internacional e acesso a mercados financeiros. Para as entidades investidoras pode proporcionar acesso mais próximo a matérias-primas, ao mercado do produto, ou a fator trabalho mais barato.

 O Investimento Direto Estrangeiro tem evoluído ao longo dos tempos. Portugal, em 2022 teve 248 projetos de IDE anunciados, o que traduz um crescimento de 24% face aos 200 do ano anterior. Com estes projetos, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) tem um valor registado de 2,4 mil milhões de euros em investimentos estrangeiros. Assim, Portugal subiu para a sexta posição dos países europeus com mais projetos de Investimento Direto do Exterior, além de ter sido o segundo país da Europa que mais cresceu em número de projetos, segundo a EY European Attractiveness Surrey 2023.

 As vantagens que podemos destacar do Investimento Direto do Exterior são: contribui para o aumento da produção; permite a criação de emprego nos países recetores; e pode acelerar o seu crescimento económico. Também há a transmissão de tecnologia entre países, que pode levar a obtenção de ganhos na produtividade ao introduzir novas formas de gestão e organização de trabalho.

 O Investimento Direto do Exterior assinala a excessiva dependência da economia em relação a este tipo de investimento, tornando-a vulnerável às exigências destes investidores. Muitas vezes, os lucros são investidos noutros países, não permitindo a continuidade do projeto ou limitando a sua expansão.

 Em 2021, com base no Banco de Portugal, a Espanha foi o país que mais investiu diretamente em Portugal. Portugal também foi o maior investidor, ou seja, empresas subsidiárias, portuguesas, fora do país que investem no próprio país. Na seguintes posições estão a França com o Reino-Unido atrás e, por fim, a China.

Maria Rita Santos

quarta-feira, 31 de maio de 2023

A arte dos tapetes de flores em Ceira dos Vales

 Em Ceira dos Vales, uma pequena localidade pitoresca pertencente à Lousã, os habitantes têm uma tradição que floresce a cada ano: tecer tapetes de flores para celebrar a procissão das velas em honra da Nossa Senhora de Fátima. É um hábito que se renova e enche de cor e perfume as ruas da comunidade, dando as boas-vindas a esta importante manifestação de fé.

 A preparação para este evento especial começa muito antes da procissão. Depois de uma árdua semana de preparativos, cada morador, com amor e dedicação, embeleza a área ao redor da sua casa, assim como as casas dos seus familiares, com uma miríade de deslumbrantes flores. É um espetáculo de criatividade e união, onde as habilidades artísticas e o amor pela Natureza se encontram.

 Os tapetes de flores são compostos por uma variedade de espécies florais, cuidadosamente selecionadas para criar composições visuais ricas. Rosas vibrantes, margaridas delicadas e outras flores típicas da região são colhidas com carinho e dispostas em desenhos intricados que cobrem as ruas da aldeia. Cada pétala é um pincel de cor que transforma a estrada numa verdadeira obra de arte efémera.

 A tradição dos tapetes de flores em Ceira dos Vales transcende a mera estética. É uma forma de expressão cultural, devoção religiosa e união comunitária. Os moradores dedicam horas preciosas para a preparação, trabalhando em conjunto para criar algo verdadeiramente especial. A cooperação e a partilha de conhecimentos entre gerações são fundamentais para garantir a preservação desta arte ancestral.

 Quando a procissão das velas finalmente chega, as ruas transformam-se num caminho de cores e aromas que guiam os fiéis na sua jornada espiritual. Cada passo é acompanhado por uma explosão de fragrâncias e um espetáculo visual ímpar. É uma experiência sensorial única, onde a fé se entrelaça com a beleza da Natureza, que deixa uma marca indelével nos corações daqueles que participam.

 A tradição dos tapetes de flores de Ceira dos Vales é um testemunho vivo da união entre arte, fé e comunidade. Esta fascinante manifestação cultural e religiosa resplandece ao longo da procissão das velas enquanto envolve os participantes numa atmosfera de beleza e espiritualidade. É um exemplo de como um lugar tão diminuto pode possuir um encanto tão profundo.

Afonso da Costa

Utilização dos rendimentos: poupança e consumo

 A utilização dos rendimentos define-se como a forma que as famílias repartem o seu rendimento disponível, em consumo ou poupança. O consumo é uma atividade económica que se pode definir pela aquisição de bens e serviços, com o objetivo de satisfazer as necessidades duma família. Uma parte significativa do rendimento das famílias vai ser usada para o consumo.

 São exemplos de fatores que influenciam o consumo o preço dos bens, o rendimento dos consumidores, a inovação tecnológica, a moda, a tradição e a publicidade.

 A poupança corresponde à parte do rendimento disponível das famílias que não é gasto em despesas de consumo. As famílias preocupam-se com a possibilidade de ocorrerem imprevistos, tais como: doença, gastos futuros, desemprego,… por isso deixam algum dinheiro de lado todos os meses para estarem preparadas caso alguma coisa aconteça.

 Poupança = Rendimento disponível - Despesas de consumo

 Alguns dos fatores que influencia a poupança são o rendimento, os preços, a estrutura etária e a inflação.

 O consumo e a poupança variam numa razão inversa, já que, quando o consumo aumenta, a poupança diminui e, quando a poupança aumenta, o consumo diminui. São conceitos que estão inteiramente interligados.

 O consumo é um fator que depende do rendimento. Existe a tendência de aumentar o consumo quando o rendimento aumenta, já que o salário nominal é maior.

Maria Ana Rodrigues

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Paradoxo da poupança

 A questão do paradoxo da poupança proporciona interessante debates sobre os efeitos da poupança na economia de um país. Tradicionalmente, a poupança é vista como uma prática positiva e responsável, mas o paradoxo da poupança destaca um aspeto contraditório deste conceito.

 Segundo o renomado economista John Maynard Keynes, o aumento da poupança por parte dos indivíduos pode levar a uma diminuição na procura agregada, o que, por sua vez, pode resultar numa redução da atividade económica. Esse fenómeno ocorre devido à ligação entre o rendimento dos indivíduos e os gastos em bens e serviços. Quando as pessoas decidem poupar mais, a procura agregada diminui, o que pode levar a uma redução na produção e no emprego.

 O paradoxo da poupança tem implicações significativas para a economia de um país. Se todos os indivíduos reduzem os seus gastos e aumentam as suas taxas de poupança, diminuindo o consumo, as empresas sofrem uma queda na procura dos seus produtos e serviços, resultando em lucros muito mais baixos. Isto causará demissões, reduzirá os investimentos e afetará substancialmente o PIB. Se as famílias continuarem a poupar, irá formar-se um ciclo vicioso.

 É importante destacar que a poupança desempenha um papel fundamental na economia. É necessária para financiar investimentos, incentivar a acumulação de capital e garantir a estabilidade financeira. No entanto, é necessário encontrar um equilíbrio adequado entre poupança e o consumo, para evitar os efeitos negativos do excesso de poupança.

Afonso da Costa

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Curva de Lorenz e índice/coeficiente de Gini

 A desigualdade social é uma questão complexa e relevante em qualquer sociedade. Para avaliar e mensurar essa desigualdade, dois indicadores são frequentemente utilizados: a curva de Lorenz e o Índice de Gini.

 Apadrinhada de curva de Lorenz, já que foi criada pelo economista  é um gráfico que representa a distribuição acumulada da renda ou riqueza em uma determinada população. Relaciona a percentagem acumulada da população de um determinado país (eixo das abcissas) com a percentagem acumulada do rendimento que recebe (eixo das ordenadas). Se a curva coincide com a reta de equidistribuição, significa que a distribuição dos rendimentos é perfeitamente igualitária. No entanto, quanto mais afastada está a curva da reta, maior é a desigualdade na distribuição dos rendimentos.

  Ordenando os agregados familiares dos mais pobres para os mais ricos, se a 10% da população correspondesse 10% da receita, se a 20% da população correspondesse 20% da receita, e por daí a diante, então o rendimento estaria equitativamente distribuído.


Gráfico - "Desigualdade económica em Portugal", da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 O coeficiente ou índice de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que procura sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição. Este assume valores entre 0 ou 0% (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 1 ou 100% (quando todo o rendimento se concentra num único indivíduo).

 Gráfico - Pordata.

 Afonso da Costa

sexta-feira, 5 de maio de 2023

IVA Zero: sucesso ou fracasso?

 

 Passaram-se duas semanas desde a entrada em vigor da medida que isentaria quarenta e quatros bens essenciais de IVA. Fomos para o terreno e analisámos os preços antes e depois da proposta do Governo, com o intuito de verificar se os produtos estão, realmente, mais baratos.

domingo, 16 de abril de 2023

CanSat Portugal

 O CanSat Portugal é um programa educativo que visa promover o interesse dos jovens pela ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). O programa é organizado pela Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), com o apoio de várias instituições parceiras.

 O objetivo do CanSat Portugal é proporcionar aos estudantes do ensino secundário uma experiência prática na construção e lançamento de um pequeno satélite (CanSat), que contém sensores e sistemas de comunicação para recolher e transmitir dados. Esta atividade permite aos jovens adquirir competências técnicas e científicas, além de fomentar a criatividade e o trabalho em equipa.

 Os participantes são desafiados a projetar e construir o seu próprio CanSat, tendo em conta as especificações técnicas e as limitações impostas pelo regulamento do programa. Depois de concluído, o CanSat é lançado por um foguetão de sondagem a uma altitude de cerca de 1 km, onde começa a recolher e transmitir dados em tempo real.

 Além da construção e lançamento do CanSat, os estudantes participam em várias atividades de formação, como workshops e palestras, que os ajudam a aprofundar os seus conhecimentos em STEM. Os participantes também têm a oportunidade de interagir com profissionais e empresas do setor aeroespacial, o que pode abrir portas para futuras carreiras nesta área.

 O CanSat Portugal é uma iniciativa que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal, sendo considerado um dos programas educativos mais interessantes e desafiadores para os jovens. Através desta iniciativa, a Agência Espacial Portuguesa pretende estimular a curiosidade e a paixão dos jovens pela ciência e tecnologia, bem como contribuir para o desenvolvimento de novas competências e talentos nesta área.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Ações, obrigações e títulos de participação

 No artigo anterior, que trata o financiamento, é possível observar que os produtos cotados na bolsa são ações, obrigações, títulos de participação e outros.

 Ações

 As ações correspondem a títulos de propriedade representativos do capital social das sociedades anónimas, podendo ser emitidos aquando da sua constituição ou posteriormente, quando realizam um aumento do seu capital. O titular de ações torna-se proprietários de uma parte do capital da empresa.

Obrigações

 As obrigações são títulos de crédito a longo prazo representativos de um empréstimo a uma empresa. O detentor tem o direito a receber uma remuneração estabelecida no início do contrato, assim como o reembolso da totalidade do empréstimo que concedeu, no prazo definido no contrato.

Títulos de participação

 Os títulos de participação são valores mobiliários, tendencialmente perpétuos, que conferem o direito a uma remuneração com duas componentes: uma fixa e outra variável. Tanto a remuneração fixa como a variável são determinadas sobre uma percentagem do valor nominal do título de participação.

Henrique Santos

terça-feira, 21 de março de 2023

Financiamento

 Os agentes económicos, para realizarem investimentos, necessitam de recursos financeiros. A poupança das empresas ou do Estado pode funcionar como um recurso financeiro. Quando o agente económico tem uma poupança superior ao montante do investimento, tratando-se de capacidade de financiamento. Porém, quando os investimentos são superiores ao valor das suas poupanças existe a necessidade de financiamento. O financiamento pode ser interno ou externo.

Financiamento interno

 Quando os agentes económicos têm capacidade de financiamento e decidem investir utilizando fundos próprios ocorre um financiamento interno, podendo também chamar-se também de autofinanciamento.

Financiamento externo

 Ocorre quando o agente económico recorre a recursos alheios para aplicar na atividade económica. Existem diferentes tipos de recursos alheios. O financiamento externo pode ser indireto ou direto.

Financiamento externo indireto

 Os agentes económicos, que necessitam de obter recursos financeiro recorrem a intermediários financeiros, como por exemplo, os bancos (crédito bancário). Estas instituições recolhem os recursos entre os agentes que têm excedentes, através dos depósitos, e concedem empréstimos aos que deles necessitam, ou seja, concedem crédito às famílias, às empresas e ao Estado. Pela concessão desses créditos, cobram-se juros de acordo com o risco de investimento e com o número de anos de utilização do empréstimo e a taxa de juros.

Taxas de juro e uso do crédito

Taxas de juro baixas - Desincentivam a poupança, havendo uma tendência para aumentar o consumo das famílias, com recurso ao crédito, e para aumentar o investimento pelas empresas;

Taxas de juro elevadas - Incentivam a poupança, havendo geralmente uma redução no consumo, a crédito, das famílias e no investimento dos restantes agentes económicos;

Uso do crédito pelas famílias - As famílias, geralmente, recorrem ao crédito para aquisição de bens de consumo – crédito ao consumo;

Uso do crédito pelas empresas - As empresas contraem créditos para manter, ampliar ou modernizar a sua capacidade de produção – crédito à produção.

Financiamento externo direto

 O mercado de títulos é onde se transacionam valores mobiliários, ou seja, documentos ou títulos que confirmam que o seu proprietário é titular de um direito, representando um certo valor sobre uma entidade pública ou privada. Uma das suas principais funções é possibilitar que as empresas ou outras emissoras de valores mobiliários captem recursos diretamente do público investidor em condições mais vantajosas do que as oferecidas pelos empréstimos e financiamentos bancários. O mercado de títulos integra mercados mais especializados, nomeadamente, o mercado primário e o mercado secundário.

Mercado primário

 No mercado primário, são transacionados os títulos que iniciam a sua circulação, isto é, títulos que vão ser negociados pela primeira vez. Constitui uma forma de financiamento externo direto, visto que as empresas obtêm-nos sem recurso a intermediários ou a meios financeiros para investirem nas suas atividades.

Mercado secundário

 No mercado secundário, são transacionados os títulos após a sua emissão. Os investidores negoceiam e trocam entre si os valores mobiliários emitidos pelas empresas, sem qualquer participação das empresas nessas trocas, dando assim liquidez aos títulos emitidos no mercado primário.

Bolsa de Valores

 Em Portugal, o mercado secundário corresponde atualmente à Bolsa de Valores de Lisboa. A bolsa de valores é o lugar de encontro dos proprietários de títulos já emitidos e dos investidores que desejam adquirir esses títulos, ou seja, é aí que se irá efetuar o encontro entre a procura e a oferta de valores mobiliários. A cotação dos títulos, ou seja  (preço) varia de acordo com a oferta e a procura. As oscilações das cotações dos diferentes produtos financeiros podem ser quantificadas através de um índice. Estes produtos cotados em bolsa são vários, como, ações, obrigações, títulos de participação, entre outros.

Henrique Santos

domingo, 19 de março de 2023

O que é o IRS?

 O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) é um imposto aplicável tanto ao rendimento de cidadãos residentes em Portugal como aos não residentes que obtêm rendimento no país.

 A taxa de imposto a ser aplicada depende do rendimento auferido, considerando o escalão a que pertence e as deduções previstas por lei, como as despesas de saúde ou educação.

 Antes de se entregar a declaração de IRS, as pessoas têm de se certificar que todas as informações relativamente à sua realidade atual estão corretamente comunicadas no site da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), a entidade responsável pelas finanças e pelo processamento do IRS. Isto aplica-se especialmente à comunicação da sua morada fiscal, o endereço considerado como a sua residência oficial. Ter a morada fiscal atualizada é não só obrigatória por lei, como muito importante: para obter benefícios fiscais (por exemplo, a isenção de Imposto Municipal Sobre Imóveis) e evitar possíveis penalizações (isto são multas que podem chegar a 375 euros).

 Residentes fiscais são aqueles que estão a pensar viver ou trabalhar em Portugal. Estes têm de permanecer mais de 183 dias, seguidos ou não, num período de 12 meses com início ou fim no ano em que pede a morada fiscal e ter uma habitação (própria ou arrendada), bem como de intenção atual de a manter e ocupar como residência habitual.

 Por norma, a declaração é entregue online no Portal das Finanças (AT), entre abril e junho, mas, se precisar de ajuda, pode ir a um Espaço Cidadão, balcão das Finanças ou a uma Junta de Freguesia que dê apoio.

Eduardo Almeida

sábado, 18 de março de 2023

Abstenção em Portugal

 A abstenção nas eleições em Portugal tem vindo a aumentar, sendo um tema que preocupa tanto a classe política quanto a sociedade em geral.

 Nas últimas eleições presidenciais realizadas em 2021, a taxa de abstenção atingiu 60,5%, um recorde histórico no país. Neste caso, se a abstenção fosse um partido, teria ganho as eleições com maioria absoluta.  A taxa mais elevada de abstenção observa-se nas eleições europeias, sendo de quase 70%.



 As razões por detrás deste fenómeno são diversas. Uma das explicações mais comuns é a falta de interesse da população pela política, o que origina uma distância entre os eleitores e os partidos políticos. Muitas vezes, a sociedade não se sente representada pelos partidos e não acredita que as eleições irão trazer mudanças significativas nas suas vidas. Além disso, há uma grande parcela da população que acredita que o seu voto não faz diferença. Esse pensamento é influenciado pela constatação de que, várias vezes, os resultados eleitorais já são previsíveis antes mesmo da votação.  Por fim, há também a questão da logística das eleições. Muitas vezes, as seções eleitorais são mal organizadas e os eleitores têm de enfrentar filas enormes e grandes atrasos para votar, o que pode criar um desânimo geral e à desistência de votar.

 Para enfrentar este problema, é preciso que a sociedade e os políticos se unam para criarem soluções. É necessário criar mecanismos para aproximar os eleitores dos partidos, incentivando a participação ativa da sociedade na política.

 É também preciso investir em campanhas de esclarecimento e educação política, para que a população esteja mais bem informada sobre os candidatos e as suas propostas. É, também, fundamental que sejam criadas condições para que as eleições sejam mais acessíveis e menos burocráticas, de modo a incentivar a participação dos eleitores. É importante investir em infraestruturas e logística, garantindo que as seções eleitorais estejam bem organizadas e equipadas para atender os eleitores com agilidade e conforto.

Afonso da Costa

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Taxas MIBEL

A Taxa MIBEL ou ajuste MIBEL é uma taxa presente nas faturas de eletricidade que foi criada para pagar o gás que se usa na produção de eletricidade. 

Esta taxa significa, na prática, que o custo de fixação de preços de gás está a ser passado para os clientes finais. Ou seja, mesmo com o preço do gás para os produtores de eletricidade em Portugal e em Espanha abaixo do resto da Europa, o benefício para os cidadãos é limitado.



Quem está a cobrar?


A Iberdrola, a Galp, a Endesa e a EDP são as que estão a cobrar esta taxa. O que significa que se tiver contrato com alguma destas empresas, vai notar um aumento na sua fatura de eletricidade. A única empresa, no mercado livre, que não está a aplicar o sistema MIBEL é a Goldenergy.


Sabe quanto aumentam as faturas?


Segundo algumas estimativas, o custo final da sua fatura pode aumentar entre 15 a 20 euros por cada 100kWh de eletricidade.

Se a sua fatura ronda os 100 euros, o custo para um consumo de 400kWh pode ficar entre 60 a 80 euros a mais mensalmente, tendo ainda a variante dos preços MIBEL para os mercados internacionais.


Simulação


Se a sua potência contratada for de 5,75 kVa (simples), 2423 kWh e pagar 19,34 euros (sem IVA) com periodo de consumo de 12 meses:


-na Galp pagaria: 40.08 euros mensal (481 euros anual)


-na Iberdrola pagaria: 46,75 euros mensal (561 euros anual)


-na Goldenergy pagaria:48,30 euros mensal ( 579,5 euros anual)


Como pode ver, com as taxas MIBEL, os valores não estão muito em conta com a carteira dos Portugueses, mesmo a Goldenergy, que não a está a aplicar.


Agora a questão: com tudo isto visto, será que realmente compensa mudar para o mercado regulado?


(feito no site da ERSE)

 

Mercado regulado, o que é?


Ao contrário do mercado regulado, o mercado livre permite-lhe escolher o seu comercializador de eletricidade e gás natural. A oferta comercial e os respetivos preços da energia são determinados por cada comercializador, e não pela ERSE. No mercado regulado a ERSE determina os preços, podendo ter menos opções em termos de escolha do seu comercializador.


Compensa mudar?


Bom, como expliquei anteriormente na simulação, depende dos preços da empresa com quem fez o seu contrato, e neste momento quem ainda não mudou, pode estar a pagar o dobro do que se paga no mercado regulado. Muitas pessoas ainda não sabem qual é a empresa do mercado regulado, e isto é gravíssimo. Façamos assim, 16 cêntimos é o valor de referência para a eletricidade “normal”, se paga mais está a perder dinheiro, se paga menos está a poupar. Simples, certo? É uma questão de ir verificando as suas faturas de eletricidade, e ter a certeza que tem a potência contratada certa, visto que pode estar a desperdiçar 100 euros por ano sem necessidade nenhuma.


Não se esqueça de comparar também os preços da potência contratada que lhe interessa, pois várias baixaram, e muito, o preço do kWh mas subiram bastante o preço da potência contratada. O que em faturas de baixos valores vai fazer muita diferença.


Listas das empresas mais baratas este mês de Fevereiro por kWh:

  • Regulado (Su Eletricidade): 0,1624 € (Sem MIBEL)
  • Goldenergy: 0,1465 € (Sem MIBEL)
  • EDP Comercial: 0,1549 € + MIBEL
  • Endesa: 0,1450 € + MIBEL
  • Luzboa ( Mercado Indexado): 0,0282 € + MIBEL


                     


Esta é a evolução dos preços ao longo destes últimos 5 meses. Como se pode verificar, o mercado regulado (linha azul) perdeu terreno, mas continua a ser o mais seguro por não ter a taxa MIBEL.


Joana Quatorze

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Balança Comercial

Definição: A balança comercial de um país é a relação entre os valores das importações e o valor das exportações, ou seja, é a relação entre as compras e as vendas do país. Calcula-se subtraindo as importações às exportações.

Balança Comercial = Exportações - Importações.

Balança comercial positiva

Quando o valor das exportações é superior ao valor das importações, ou seja, quando um país vende mais do que compra, a balança comercial do país é positiva. A este fenómeno também se da o nome de superávite. Geralmente, demostra uma melhoria económica no país.

Balança comercial negativa

Se o valor das importações for superior ao valor das exportações, ou seja, quando um país compra mais do que vende, a sua balança comercial será negativa (déficit), o que pode indicar que o país está a gastar mais do que ganha e pode ter uma dívida comercial.

Balança comercial equilibrada

Quando o valor das exportações é aproximadamente igual ao valor das importações, ou seja, quando um país compra e vende de igual modo, observamos uma balança comercial equilibrada.

Importância da balança comercial:

 A partir da balança comercial, é possível visualizar a situação financeira de um país em comparação aos demais. Além de importações e exportações, existem outros fatores que influenciam esse indicador, tais como:

  • os custos logísticos para enviar os produtos de um país para o outro;
  • as políticas adotadas por cada país em relação ao comércio internacional;
  • a renda dos habitantes dos países envolvidos, bem como o gosto e as preferências destes mesmos habitantes;
  • as taxas de câmbio utilizadas para as pessoas trocarem a sua moeda por outra estrangeira;
  • o preço dos produtos e serviços no exterior e no país.

Balança comercial Portuguesa


Imagens: Toda Matéria
Maria Ana Rodrigues

domingo, 29 de janeiro de 2023

AECL

  A Associação Europeia do Comércio Livre (AECL), ou European Free Trade Association (EFTA) é uma organização europeia fundada em 1960 por Portugal, Grã-Bretanha, Noruega, Dinamarca, Suíça, Suécia e Áustria, com o objetivo de eliminar as fronteiras comerciais entre os membros.
 Estes países estavam isentos de pagar impostos aduaneiros ao importarem produtos entre eles, o que aumentou as trocas comerciais dos mesmos.
 Atualmente, só Liechtenstein, Islândia, Noruega e a Suíça é que constituem a AECL.

  Países membros   Ex-membros

Imagem: Wikipédia

Afonso da Costa

sábado, 28 de janeiro de 2023

FMI

 O Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização internacional criada em 1945 visa garantir o bom funcionamento do sistema financeiro mundial, controlando as taxas de câmbio e a balança comercial, através de assistência técnica e financeira. Atualmente tem 188 membros. A partir de 1980, passou a desempenhar o papel de supervisor da dívida externa. A sua sede é em Washington, nos Estados Unidos.

Afonso da Costa

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Moedas virtuais

O que são?

Moeda virtual, também conhecida como criptomoeda, é genericamente um tipo de dinheiro – como outras moedas com as quais convivemos cotidianamente – com a diferença de ser totalmente digital e seu preço é variável. Além disso, ela não emitida por nenhum governo (como é o caso do euro ou do dólar, por exemplo). 

A criptomoeda foi definida em 2012 pelo Banco Central Europeu como "uma forma não regulamentada de dinheiro virtual, comumente distribuída e controlada pelos seus desenvolvedores, que é usada e aceite apenas entre os membros de uma comunidade virtual específica".

Para que servem?


As criptomoedas podem ser usadas com as mesmas finalidades do dinheiro físico em si. As três principais funções são servir como meio de troca, facilitando as transações comerciais; reserva de valor, para a preservação do poder de compra no futuro; e ainda como unidade de conta, quando os produtos são precificados e o cálculo económico é realizado em função dela.

As moedas virtuais não são moedas verdadeiras, pois:

  • não são um meio de pagamento usado por todos, ao contrário do que acontece com o euro;
  • não são adequadas para preservar riqueza ou poupar, pois não há ninguém que as controla, logo o valor destas pode variar muito apenas numa questão de horas, meses ou até anos;
  • é impossível usar criptomoedas para fixar preços, pois seria impossível estar sempre a mudar o preço dos bens e serviços;
  • são instrumentos com muitos riscos, pois não são universalmente aceites, não são adequadas para poupar e não permitem fixar preços.
AD

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Lei dos Rendimentos Decrescentes

 A Lei dos Rendimentos Decrescentes ou Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes é uma teoria que relaciona a utilização de unidades adicionais de trabalho e a quantidade produzida.

 Segundo a lei, sendo tudo o resto constante, à medida que se adicionam unidades sucessivas de um fator, os aumentos na quantidade produzida vão ser cada vez menores.

 Isto equivale a dizer que, quando se utilizam unidades adicionais de trabalho, a produção total aumenta, mas a partir de um certo ponto, a produção marginal irá decrescer.

 Afonso da Costa

Estrutura do consumo

 Cada família, com o rendimento que dispõem, efetua despesas, adquirindo bens e serviços que venham a satisfazer as suas necessidades. No entanto, a fração do rendimento disponível que cada família despende na aquisição desses conjuntos de bens e serviços é, obviamente, diferente, isto é, cada família apresenta uma estrutura de consumo própria.

 Reformulando, a estrutura do consumo traduz a forma como as famílias repartem o seu rendimento nos diversos consumos. 

 A sua análise, para uma família ou um conjunto de agregados familiares, permite-nos estudar o grau de bem-estar ou o nível de vida dessas família e permite saber quais os bens mais adquiridos por elas, dando, assim, informações importantes à produção. Para estudar a estrutura do consumo, é habitual dividir as despesas de consumo em categorias como alimentação, vestuário e calçado, tempos livres,...

Afonso da Costa